"Uma moeda no bolso..." pensou Tobias. Coçada, com a cor dos raios do céu que iluminavam a velha aldeia de Alflores nos finais das tardes de verão. "...50 cêntimos..." Tobias sorriu "..já ganhei o dia." Envolveu a velha moeda na sua mão, armou o seu sorriso e continuou a sua caminhada pelos campos luzidios que circundavam a velha aldeia.
Havia algo assustadoramente vivo que soprava como o vento norte de Outono nesse dia dentro de Tobias. Uma cascata que lutava no seu peito, por entre labirintos de estruturas metálicas. Tobias não acreditava em barragens. "Os pássaros voam livres", pensou ele. Vagueava Tobias absorto nestes pensamentos quando encontrou uma velha no caminho. "Sempre a sonhar Tobias! Vê lá se tratas mas é desses dentes podres ou não arranjas moça!" Tobias olhou para a velha e sentiu novamente a sua velha moeda na mão. Sorriu e seguiu o seu caminho.
Tobias olhou para o horizonte. Era vasto, imenso. Ao longe montanhas jaziam erigidas por trás de uma ténue névoa, tão longínqua quão suave. Tudo parecia inerte, absolutamente imóvel, estranhamente alheado dos ventos que giravam incessantemente no seu peito. Tobias decidiu então sentar-se numa pedra no alto da montanha, a contemplar o infinito que se desenrolava ante seus olhos. As palavras da velha ressoavam dentro de si, como um sino sincopadamente alertando o seu ser. Como havia Tobias de dizer à velha que era por trás dos seus dentes podres que se escondia a força dos mil sóis, os ventos que levantam oceanos e bramem rugidos de mil leões?
Tobias gostava deles assim. Neles encontrava todos os seus dias a sua história, neles desenhou cada manhã o seu mais belo sorriso. E Tobias sorriu, um sorriso do tamanho de um homem, orgulhosamente benzendo a sua alma com a autenticidade do seu sentir.
Os ventos sopraram então fortes. Tobias levantou-se, agarrou com força a sua moeda, e começou a caminhar rumo ao sol. Era tempo de dar uso à sua moeda e ousar comprar o céu.
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